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 'Não posso admitir que me chame de mentiroso', diz Moro sobre Bolsonaro

'Não posso admitir que me chame de mentiroso', diz Moro sobre Bolsonaro

Foto: Reprodução / G1

O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que não vai aceitar ser chamado de mentiroso e que apresentará à Justiça, as provas de que Jair Bolsonaro (Sem partido) tentou interferir na Polícia Federal. As declarações foram dadas em entrevista à revista Veja, divulgada nesta quinta-feira (30).

"Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar", disse Moro.

O ex-ministro revelou que não gostou de apresentar ao Jornal Nacional trechos de conversas com Bolsonaro e com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). “Apresentei única e exclusivamente porque no pronunciamento do presidente ele afirmou falsamente que eu estava mentindo. Embora eu tenha um grande respeito pelo presidente, não posso admitir que ele me chame de mentiroso publicamente", disse. 

Segundo Moro, Bolsonaro "sabe quem está falando a verdade", e não só o presidente."Existem ministros dentro do governo que conhecem toda essa situação e sabem quem está falando a verdade. Por esse motivo, apresentei aquela mensagem, que era um indicativo de que eu dizia a verdade, e também apresentei a outra mensagem, que lamento muito, da deputada Carla Zambelli", comentou. 

"O presidente havia dito uma inverdade de que meu objetivo era trocar a substituição do diretor da PF por uma vaga no Supremo. Eu jamais faria isso. Infelizmente, tive de revelar aquela mensagem para provar que estava dizendo a verdade, que não era eu que estava mentindo”, completou.

Durante a entrevista, Moro ainda disse que o combate à corrupção "não é prioridade do governo".

'E daí?', diz Bolsonaro no pior dia de pandemia no Brasil

No pior dia da pandemia do novo coronavírus no Brasil até o momento, o presidente Jair Bolsonaro voltou a minimizar o crescente número de mortes no país.


Na última terça-feira (28), o Brasil registrou mais 5.385 infecções pelo Sars-CoV-2 e 474 óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde. Com isso, o país chegou a pelo menos 71.886 casos e 5.017 mortes na pandemia, ultrapassando a China (4.637) em quantidade de falecimentos.


Já durante a noite, Bolsonaro foi questionado por uma jornalista na portaria do Palácio da Alvorada sobre o fato de o Brasil ter superado os óbitos já registrados na China. "E daí? Lamento.
Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", disse o presidente, citando o próprio sobrenome.


O Brasil teve na terça-feira o maior número de mortes confirmadas desde o início da pandemia, com 474, e a segunda maior quantidade de casos diários, atrás apenas de 25 de abril, quando haviam sido registrados 5.514 novos contágios - descartando as subnotificações, que são consenso na comunidade científica.


Logo depois de ter dito "e daí?", Bolsonaro prestou solidariedade às "famílias que perderam seus entes queridos", destacando que grande parte dos mortos era de "pessoas idosas".
"Mas é a vida. Amanhã vou eu. Logicamente, a gente quer, se um dia morrer, ter uma morte digna e deixar uma boa história para trás", acrescentou.

Moro divulga diálogo em que Bolsonaro fala em troca de comando da Polícia Federal

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, apresentou ao Jornal Nacional, da TV Globo, trechos de conversas entre ele e o presidente Jair Bolsonaro que teriam sido fatores para justificar seu pedido de saída do Ministério. Moro deixou o cargo na manhã desta sexta-feira (24).


Na conversa divulgada, Jair Bolsonaro envia a Sérgio Moro um link de matéria do site "O Antagonista" que diz: "PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas". Em seguida, o presidente diz: "Mais um motivo para a troca", referindo-se à mudança no comando da Polícia Federal.


Em seguida, Moro respondeu a Bolsonaro, afirmando que a investigação não teve início a pedido de Maurício Valeixo, então ocupante do cargo e também exonerado nesta sexta-feira. "Este inquérito eh conduzido pelo Ministro Alexandre no STF, diligências por ele determinadas, quebras por ele derterminadas, buscas por ele determinadas" (sic), referindo a Alexandre de Morais, ministro do Supremo Tribunal Federal. Moro conclui dizendo que continuaria a conversa com o presidente em reunião.


Negociação por vaga no STF


Durante um pronunciamento realizado por Jair Bolsonaro, na tarde desta sexta, o presidente acusou Moro de negociar a saída de Maurício Valeixo, ex-diretor da Polícia Federal, em troca da sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF). "Mais de uma vez o senhor Sérgio Moro falou pra mim, você pode trocar o Valeixo sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o Supremo Tribunal Federal", afirmou o Bolsonaro.


A respeito disso, Sérgio Moro divulgou trecho de conversa com a deputada federal do PSL e aliada de Bolsonaro. Na conversa, Carla Zambelli diz: "Por favor, ministro, aceite o Ramage", em referência a Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, um dos nomes cotados pelo presidente para assumir o controle da Polícia Federal. Ela completa, propondo a ida de Moro para o Supremo. "E vá em setembro para o STF. Eu me comprometo a ajudar. A fazer JB (Jair Bolsonaro) prometer".


Em resposta, Moro diz: "Não estou à venda". Zambelli insiste: "Ministro, por favor...... milhões de brasileiros vão se desfazer". Respondendo ao dito por Moro, ela diz: "Eu sei. Por Deus eu sei. Se existe alguém no Brasil que não está a verba é o sr" (Sic). "A verba" parece ser erro de digitação para "à venda".


Moro conclui a conversa dizendo: "Vamos aguardar, já há pessoas conversando lá", em referência a tentativa de aliados de convencer o presidente a mudar de ideia.


Mais cedo, Moro negou a acusação por meio de uma rede social, no início da noite desta sexta-feira (24). "A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF", disse o ex-juiz na publicação.


Em outro post, Moro rebateu outra acusação feita pelo presidente, de que ele já sabia que desde janeiro Valeixo cogitava deixar a direção da PF, por estar cansado. "De fato,o Diretor da PF Maurício Valeixo estava cansado de ser assediado desde agosto do ano passado pelo Presidente para ser substituído. Mas,ontem,não houve qualquer pedido de demissão,nem o decreto de exoneração passou por mim ou me foi informado", postou.
 Moro anuncia saída do Ministério da Justiça e deixa governo Bolsonaro

Moro anuncia saída do Ministério da Justiça e deixa governo Bolsonaro

 Sérgio Moro na passagem por Fortaleza (Foto: Fábio Lima)

O ministro Sergio Moro anuncia, durante coletiva de imprensa, na manhã desta sexta-feira, 24, que deciciu abandonar o cargo de ministro da Justiça do governo Bolsonaro. A decisão acontece após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, ter sido publicada nesta madrugada no Diário Oficial da União.





A saída do governo foi anunciada a pessoas próximas desta quinta, 23, quando foi informado pelo presidente da decisão de demitir Valeixo. O ministro avisou o presidente que não ficaria no governo com a saída do diretor-geral, escolhido por Moro para comandar a PF.

O POVO