Cinco estados concentram os maiores números: São Paulo (695 mortes), Rio de Janeiro (582), Bahia (256), Paraná (178) e Pará (159).
Minas Gerais informou o dado (115 pessoas mortas em confronto) após a publicação da reportagem. Rondônia afirmou não possuir o número de 2014. Já as PMs do Distrito Federal e de Mato Grosso do Sul não responderam aos questionamentos da reportagem.
Em Goiás, o tenente-coronel Ricardo Mendes, porta-voz da assessoria de imprensa da PM, disse que não achava necessário repassar o número à reportagem. "Não vemos necessidade de divulgar os dados. Por qual motivo você precisa disso? As estatísticas que você precisa sobre segurança pública estão no site”, respondeu o oficial, referindo-se a dados gerais sobre crimes, como homicídios e roubos.Veja a lista completa abaixo.
Estado
|
mortos em confronto
|
média/100 mil habitantes
|
total de PMs mortos
|
|---|---|---|---|
SP
|
695
|
1,58
|
14
|
RJ
|
582
|
3,54
|
16
|
BA
|
256
|
1,69
|
31
|
PR
|
178
|
1,61
|
9
|
PA
|
159
|
1,97
|
2
|
MG
|
115*
|
0,55*
|
7*
|
SC
|
76
|
1,13
|
0
|
RN
|
69
|
2,02
|
5
|
MA
|
57
|
0,83
|
16
|
RS
|
55
|
0,5
|
1
|
CE
|
53
|
0,6
|
1
|
AL
|
50
|
1,5
|
1
|
SE
|
43
|
1,94
|
0
|
AP
|
25
|
3,33
|
0
|
PE
|
25
|
0,27
|
4
|
AM
|
23
|
0,6
|
3
|
ES
|
21
|
0,54
|
1
|
PB
|
21
|
0,53
|
0
|
TO
|
11
|
0,73
|
0
|
MT
|
8
|
0,25
|
18
|
AC
|
2
|
0,25
|
0
|
PI
|
2**
|
0,06
|
0
|
RR
|
0
|
0
|
0
|
DF
|
não respondeu
|
4
|
|
GO
|
não divulgou
|
não divulgou
|
|
MS
|
não respondeu
|
6
|
|
RO
|
não tem
|
0
|
|
Total
|
2.526
|
139
|
|
* dados divulgados após a publicação do texto.
** números de novembro e dezembro não incluídos.
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|||
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.231 pessoas foram mortas em confronto por PMs em serviço no país em 2013, enquanto que, em 2012, foram 1.457.
Considerando a média por 100 mil habitantes, o Rio de Janeiro lidera em 2014 o ranking de mortes provocadas por PMs em relação à população do estado (3,54 mortes).
Questionada, a PM disse que a Secretaria da Segurança do Rio deveria comentar o assunto. Em nota, a pasta afirma que "estabeleceu desde 2009, com a implantação do Sistema Integrado de Metas e Acompanhamento de Resultados, a redução das mortes decorrentes de ações policiais como um dos índices da chamada letalidade violenta". Segundo o texto, nas áreas pacificadas, a redução destas mortes foi de 85% na comparação entre 2008 e o ano passado. "Apesar do aumento registrado nos últimos dois anos, a redução das mortes decorrentes de ações policiais foi de 56,1%, na comparação entre 2014 e 2007, ano anterior à atual gestão quando as mortes em ações policiais chegaram a 1.330."
Também no ano de 2014, conforme os dados obtidos pelo G1, 139 PMs foram mortos no país durante o trabalho. Bahia e Mato Grosso lideram o ranking de policiais mortos, com 31 e 18 casos, respectivamente.
Falta de informações
O procurador Marcelo Godoy, secretário-executivo da câmara do Ministério Público Federal responsável pelo controle da atividade policial, diz que um dos obstáculos para que a sociedade possa monitorar o que acontece nas ruas é a falta de transparência.
“De um modo geral, temos dificuldade e imprecisão em relação aos dados de segurança pública. Em relação às mortes provocadas por policiais, enfrentamos resistência, em alguns casos, ao acesso do MP aos dados. É preciso maior transparência. Também há outro aspecto: pode haver corporativismo", afirma.
O ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel da reserva da PM de São Paulo José Vicente também critica a falta de informações. "A maioria dos estados não divulga praticamente nada. Algumas situações são legítimas e necessárias para a defesa do policial. Outras merecem ser investigadas e analisadas com cuidado", diz ele.
“O uso da força letal pelo estado deveria ser apresentado permanentemente. O Brasil precisa assumir que a letalidade policial é um ponto que precisa ser trabalhado pelas polícias”, defende a coordenadora da área de Segurança Pública da ONG Sou da Paz, Carolina Ricardo.
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