Brasil teve mais de 2,5 mil pessoas mortas por PMs em serviço em 2014

Brasil teve mais de 2,5 mil pessoas mortas por PMs em serviço em 2014
Levantamento exclusivo feito pelo G1 com base nos dados das secretarias da Segurança Pública mostra que ao menos 2.526 pessoas morreram em 2014 somente em ações de policiais militares em serviço em 22 estados do país. Isso significa sete mortos por dia, em média.

Cinco estados concentram os maiores números: São Paulo (695 mortes), Rio de Janeiro (582), Bahia (256), Paraná (178) e Pará (159).

Minas Gerais informou o dado (115 pessoas mortas em confronto) após a publicação da reportagem. Rondônia afirmou não possuir o número de 2014. Já as PMs do Distrito Federal e de Mato Grosso do Sul não responderam aos questionamentos da reportagem.

Em Goiás, o tenente-coronel Ricardo Mendes, porta-voz da assessoria de imprensa da PM, disse que não achava necessário repassar o número à reportagem. "Não vemos necessidade de divulgar os dados. Por qual motivo você precisa disso? As estatísticas que você precisa sobre segurança pública estão no site”, respondeu o oficial, referindo-se a dados gerais sobre crimes, como homicídios e roubos.Veja a lista completa abaixo.
    
Estado
mortos em confronto
média/100 mil habitantes  
total de PMs mortos
SP
695
1,58
14
RJ
582
3,54
16
BA
256
1,69
31
PR
178
1,61
9
PA
159
1,97
2
MG
115*
0,55*
7*
SC
76
1,13
0
RN
69
2,02
5
MA
57
0,83
16
RS
55
0,5
1
CE
53
0,6
1
AL
50
1,5
1
SE
43
1,94
0
AP
25
3,33
0
PE
25
0,27
4
AM
23
0,6
3
ES
21
0,54
1
PB
21
0,53
0
TO
11
0,73
0
MT
8
0,25
18
AC
2
0,25
0
PI
2**
0,06
0
RR
0
0
0
DF
não respondeu
4
GO
não divulgou
não divulgou
MS
não respondeu
6
RO
não tem
0
Total
2.526
139
* dados divulgados após a publicação do texto.
** números de novembro e dezembro não incluídos.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.231 pessoas foram mortas em confronto por PMs em serviço no país em 2013, enquanto que, em 2012, foram 1.457.

Considerando a média por 100 mil habitantes, o Rio de Janeiro lidera em 2014 o ranking de mortes provocadas por PMs em relação à população do estado (3,54 mortes).

Questionada, a PM disse que a Secretaria da Segurança do Rio deveria comentar o assunto. Em nota, a pasta afirma que "estabeleceu desde 2009, com a implantação do Sistema Integrado de Metas e Acompanhamento de Resultados, a redução das mortes decorrentes de ações policiais como um dos índices da chamada letalidade violenta". Segundo o texto, nas áreas pacificadas, a redução destas mortes foi de 85% na comparação entre 2008 e o ano passado. "Apesar do aumento registrado nos últimos dois anos, a redução das mortes decorrentes de ações policiais foi de 56,1%, na comparação entre 2014 e 2007, ano anterior à atual gestão quando as mortes em ações policiais chegaram a 1.330."

Também no ano de 2014, conforme os dados obtidos pelo G1, 139 PMs foram mortos no país durante o trabalho. Bahia e Mato Grosso lideram o ranking de policiais mortos, com 31 e 18 casos, respectivamente.

Falta de informações
O procurador Marcelo Godoy, secretário-executivo da câmara do Ministério Público Federal responsável pelo controle da atividade policial, diz que um dos obstáculos para que a sociedade possa monitorar o que acontece nas ruas é a falta de transparência.

“De um modo geral, temos dificuldade e imprecisão em relação aos dados de segurança pública. Em relação às mortes provocadas por policiais, enfrentamos resistência, em alguns casos, ao acesso do MP aos dados. É preciso maior transparência. Também há outro aspecto: pode haver corporativismo", afirma.

O ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel da reserva da PM de São Paulo José Vicente também critica a falta de informações. "A maioria dos estados não divulga praticamente nada. Algumas situações são legítimas e necessárias para a defesa do policial. Outras merecem ser investigadas e analisadas com cuidado", diz ele.

“O uso da força letal pelo estado deveria ser apresentado permanentemente. O Brasil precisa assumir que a letalidade policial é um ponto que precisa ser trabalhado pelas polícias”, defende a coordenadora da área de Segurança Pública da ONG Sou da Paz, Carolina Ricardo.

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