O material entorpecente capturado com a quadrilha estava enterrado em um matagal localizado no bairro Itaoca, em Fortaleza. O produto está avaliado em R$ 7 mil, conforme os próprios traficantes. As investigações, conforme o diretor da DCTD, delegado Sérgio Santos Pereira, começaram há algumas semanas após denúncias anônimas. Na tarde da última terça-feira (22), três homens foram flagrados transportando a droga, na Praia de Iracema.
"A operação foi desenvolvida pelos nossos policiais. Serviço de Inteligência da DCTD conseguiu identificar um traficante que é responsável pela venda de skunk, que é um subproduto da maconha, modificado. Recebemos a informação de que um veículo de cor branca faria entrega deste material no Estoril, na Rua dos Tabajaras. Foi feita vigilância e, após a abordagem, no interior do veículo encontramos certa quantia da droga", relatou.
O delegado afirmou que os três suspeitos que estavam no Volkswagen Gol de cor branca, identificados como Francisco Niverton Lima da Silva, de 21 anos; Luís Carlos de Aquino Barbosa, 39; e Cícero Roberto Farias da Silva, de 34 anos, estavam com 50 gramas de skunk e 16 comprimidos psicotrópicos de clonazepam, medicamento de tarja preta. Diante do flagrante, o grupo revelou o esconderijo do restante da droga. "Eles nos levaram a um matagal, na Itaoca, e indicaram o local. Dentro de um balde, havia meio quilo, avaliado por eles em R$ 7 mil".
As investigações apontaram que o trio, que possui passagens por estelionato, tráfico de drogas e receptação, aplicava golpes no mercado para obter recurso financeiro e investir na aquisição da droga, considerada de valor elevado e vendidas às classes média e alta da Capital.
"Para comprar o skunk, eles usavam cartões clonados e máquinas chupa-cabra, no bairro Parque São José, onde o outro componente da quadrilha produzia estes cartões. Então, além do prejuízo à saúde da população, eles traziam prejuízo financeiro", disse Sérgio Pereira.
No local foi preso Francisco de Souto da Costa, 47. Ao todo foram apreendidos 70 cartões de crédito clonados, 35 ainda em branco, um aparelho chupa-cabra, um leitor de cartão magnético, 14 chips telefônicos, celulares e três notebooks. Dois veículos também foram retidos.
A diretora-adjunta da DCTD, delegada Patrícia Bezerra, explicou a função de cada um dos quatro presos na quadrilha. "O Cícero Roberto é o chefe da organização criminosa. Ele confessou que, como o skunk é caro, o dinheiro era oriundo da clonagem de cartões, e indicou onde estava o material para a aplicação dos golpes. O Luís era responsável por guardar a droga, foi quem indicou onde ela estava enterrada. Francisco Niverton era responsável pela comercialização. Ele quem ia efetuar a venda na Praia de Iracema. E Francisco Souto era responsável pela clonagem dos cartões", disse.
Skunk
O delegado Sérgio Santos Pereira explicou os motivos que levam o produto apreendido a possuir alto valor de mercado.
"Eles (traficantes) pegam duas espécies de maconha, fazem o cruzamento, e assim origina o skunk. O princípio ativo da maconha, o THC (tetrahidrocanabinnol), está 2,5% presente na droga comum. O skunk chega a ter de duas a dez vezes mais esse princípio ativo. É hidropônica, tem que ser plantada em estufa. É cara pois a manutenção e produção dela tem um custo alto", disse, ressaltando que o nome dado ao produto vem do inglês e significa "gambá", pelo forte odor do material.
"Vamos atrás do fornecedor desta droga agora. Continuamos no encalço deles", finalizou a delegada Patrícia Bezerra.*Diário do Nordeste
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