A ordem do ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), porta-voz da presidente, aos petistas chamados para reunião ontem no Planalto foi: "Preparem-se para o combate". Um deputado do PT saiu da reunião dizendo que o partido ainda vai aguardar a movimentação de Cunha hoje, mas já preparado para a reação: "Vamos aguardar o que ele (Cunha) vai fazer. Qualquer movimento dele vai ter uma reação. Se ele aceitar (o impeachment), nós vamos para o combate", disse o parlamentar petista após a reunião.
Um dos cenários possíveis é que Cunha inicialmente rejeite os pedidos de impeachment, em uma jogada combinada com a oposição – que, na sequência, entraria com um recurso no plenário da Câmara. Neste caso, será preciso maioria simples (metade mais um dos presentes à votação) para deflagrar o processo de impeachment. O governo fará um corpo a corpo junto aos deputados aliados para tentar vencer a votação. "A reunião foi toda focada na tentativa de evitar o impeachment. Estamos, a partir de agora, em assembleia permanente. Havendo amanhã (hoje) o recurso (da oposição), cada um saiu da reunião com sua obrigação, com sua lista (de quem procurar), para garantir os votos", disse a deputada Margarida Salomão (PT-MG).
Cunha deve decidir hoje ou nos próximos dias sobre os pedidos de impeachment apresentados até agora. É possível que ele decida postergar a análise do principal pedido, o de autoria dos juristas Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo, devido a um aditamento que deverá ser feito ao documento para reforçar que as chamadas pedaladas fiscais nas contas públicas, já condenadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), se prolongaram em 2015.
Cunha vinha dizendo que as pedaladas de 2014, antes do atual mandato, não sustentariam o impeachment, e alertado para a necessidade do aditamento para incluir o parecer do Ministério Público junto ao TCU que atesta a violação da lei fiscal também este ano, no segundo mandato. Em reação às reuniões de emergência convocadas por Dilma nos últimos três dias, a oposição iniciou ontem à noite os encontros para fechar a estratégia desta semana em relação ao impeachment. Líderes desembarcaram em pleno feriado em Brasília, e estava previsto um jantar na casa de um deles. A ideia é reforçar a pressão para que Cunha defira o pedido de Bicudo e Reale, depois que for atualizado.
Ao GLOBO, Miguel Reale afirmou que, hoje, irá acrescentar ao pedido de impeachment o parecer de Júlio Marcelo. Somente os autores do pedido podem fazer esse tipo de aditamento. Na semana passada, os responsáveis pelo pedido de impeachment já acrescentaram detalhes de atos de 2015 do governo que comprovariam a continuidade das pedaladas. Citaram entrevistas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobre o tema, e também o decreto presidencial feito em outubro que fixa prazo para o Executivo acertar contas com bancos públicos.
Também ouvido ontem pelo GLOBO, Cunha disse que, no caso de haver novas mudanças no pedido já apresentado, sua decisão pode ser adiada. Ele irá discutir com assessores sobre como proceder. Até dias atrás, Cunha afirmava que sua decisão sobre todos os pedidos seria proferida até hoje. Diante dos novos fatos, porém, sua decisão sobre o mais consistente pedido de impeachment pode ser postergada.
Ao se identificar seu comentário terá mais relevância.
EmoticonEmoticon