Aproximadamente, nove milhões de pessoas desenvolveram tuberculose em 2013, 500 mil casos a mais do que o estimado previamente revela um relatório da (OMS) publicado nesta quarta-feira
De acordo com o texto, a melhora nas técnicas de detecção, coleta e divulgação da informação proporcionou a descoberta desses casos "extras".Apesar disso, apenas seis milhões foram realmente diagnosticados, ou seja, "três milhões de pessoas estão fora do sistema, e, portanto, não têm acesso a tratamento", afirmou em entrevista coletiva Mario Raviglione, diretor do Programa Mundial sobre Tuberculose da OMS.
Ao todo, 85% dos que desenvolvem tuberculose no mundo se curaram, por isso o número acumulado de pacientes não difere enormemente dos novos infectados. Segundo o estudo, o total acumulado de pessoas que tiveram tuberculose em 2013 se elevou a 11 milhões. Estima-se que, desde o ano 2000, 37 milhões de vidas foram salvas graças a um diagnóstico precoce e a um tratamento efetivo.
No entanto, a OMS lamenta que, todos os anos pessoas ainda morram de uma doença curável por falta de diagnóstico. Dos nove milhões de pessoas que tiveram a doença, 1,5 milhão delas morreram.
Ainda assim, o relatório destaca que a taxa de letalidade está diminuindo, e de fato caiu 45% desde 1990. Porém, a tuberculose continua sendo a segunda doença mais fatal causada por um só agente infeccioso.
Um dos principais problemas é a falta de financiamento. De acordo com a OMS, são necessários US$ 8 bilhões para a luta mundial contra a doença, mas só há US$ 6 bilhões.
Sobre a Tuberculose Multirresistente (TBMR), no ano passado, a OMS declarou que era uma crise sanitária e devia ser tratada com urgência, algo que "ainda persiste", especificou Raviglione.
A entidade estima que em 2013 foram 480 mil casos de TBMR, o que representa 3,5% das pessoas que desenvolveram a doença. Concretamente, 136 mil casos de TBMR foram diagnosticados, 97 mil dos quais puderam receber tratamento. Estes dados revelam ainda que outros 39 mil pacientes não foram tratados.
"A queda da União Soviética pôs as condições idôneas para isso: o sistema de saúde colapsou e a pobreza se expandiu. Mas, além disso, havia um problema de base, e é que não se tratavam os pacientes com o padrão de quatro remédios, mas apenas com um, com o que se deixavam escapar bacilos mutantes resistentes a outros medicamentos. As pessoas começaram a infectar umas as outras e se criou a epidemia", explicou Raviglione.
De 2009 a 2013 triplicou o número de casos detectados de Tuberculose Multirresistente. Estes novos dados são o resultado da aplicação em 27 países em desenvolvimento do programa "Expand TB", para melhorar as técnicas de detecção e diagnóstico da doença em geral e da multirresistente em particular. No mundo todo, apenas 48% das pessoas que sofrem com a TBMR se curam.
Ainda mais grave que ela é a Tuberculose Extensivamente Resistente (XDR-TB, sigla em inglês), que está se expandindo e foi diagnosticada em 100 países. O estudo revela que apenas 22% dos pacientes com XDR-TB se curam.
Outro dos desafios da comunidade internacional é lidar com a epidemia "TB-HIV". Dos nove milhões de pessoas que desenvolveram tuberculose em 2009, 1,1 milhão (13%) tinha o vírus do HIV, e quatro de cada cinco casos ocorrem na África. De 1,5 milhão de pessoas que morreram, 360 mil também conviviam com o vírus da Aids.
Apesar de este número revelar que as mortes relacionadas com ambas as doenças reduziram um terço na última década (de 540 mil em 2004 a 360 mil atuais), a OMS ressalta que são necessárias mais medidas de prevenção e mais disponibilidade de antirretrovirais.

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